| Sem inglês, não dá |
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| Sex, 27 de Janeiro de 2012 18:01 | |||
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Não faz muito tempo, ter um diploma atestando ter terminado o nível básico, intermediário ou avançado de inglês (ou outra língua) numa escola de idiomas (franqueada e, por isso, ‘melhor’) ou instituição de ensino superior servia como garantia de que o conhecimento, por assim dizer, feito um pacote, como que por encanto, havia sido adquirido. Hoje, a realidade é bem diferente. Antes de ser estagiário (oops, trainee) e posteriormente contratado, o candidato a funcionário (sorry, colaborador) precisa passar por uma série de etapas, dentre as quais está a temida entrevista em inglês. Assim como a redação no ENEM ou o estágio na maioria dos cursos de graduação, a interview in English é o bicho-papão que assusta quando acordados e apavora quando adormecidos employees-to-be de todos os sexos, diferentes idades ou classe social, com ou sem experiência no exterior ou acesso constante à Internet. O processo de globalização que tem tomado de assalto os locais mais inóspitos e inesperados do planeta, como não poderia deixar de ser, também pode ser sentido em nossa cidade e região. Isso explica parcialmente porque o idioma da (ainda) maior potência do globo, a língua inglesa, tem se firmado uma commodity de altíssimo valor em diferentes campos do conhecimento humano, desde o entretenimento, o comércio e o turismo até as áreas científica, tecnológica e governamental, dentre outras. Como me disse alguém um dia desses, o inglês se espalhou pelo mundo e se impregnou em nós que já não é possível escapar dele ou se distanciar do seu raio e poder de alcance, seja no supermercado, no clube ou (mormente) no local de trabalho. Para essa pessoa, tanto no campo profissional quanto pessoal, a vida sem a sua proficiência ou fluência comprovada na língua de Shakespeare estaria fadada a ser de coadjuvante, o que é um alto risco para promoções e ganhos materiais num mundo em que todos querem ser protagonistas e consumistas. No seu dia-a-dia, segundo ele, (sobre)viver sem inglês simplesmente não dá. E a situação dele não é um caso isolado. Quem trabalha em cargos de chefia ou liderança em empresas como ADM, Bunge, Dixie Toga/Bemis e Amaggi, ou planeja chegar lá, tem percebido que, por mais que tenham estudado inglês por anos a fio ou morado no exterior, ainda lhes falta a essencial prática linguística, o convívio constante com outros usuários brasileiros ou estrangeiros da língua e maior intimidade com o idioma no que se refere ao seu léxico, gramática, aspectos culturais e históricos que o envolvem e fazem dele o que ele é. No meu caso, mais especificamente, tenho lidado com situações das mais simples às mais esdrúxulas, envolvendo pessoas de diferentes partes do Brasil que, por razões que a própria razão desconhece, aportaram aqui, no interior do Mato Grosso e, para sua surpresa, tiveram que se adequar às exigências do clima, do povo e das empresas da região. Empresas essas que também precisam se adequar às exigências tanto do mercado nacional quanto internacional. Que precisam ter em seu quadro pessoas que falam (mesmo!) a língua do competitivo mercado globalizado, se efetivamente quiserem aumentar sua produção, vendas e (of coursemente) lucros. Verdade seja dita, na prática, o inglês é um idioma que mais nos ajuda do que nos atrapalha, e ainda assim é tão incompreendido, mal-ensinado e mal-aprendido por essas paragens até hoje. Resta saber até quando. Como diz o ditado popular: ruim com ele, pior sem ele. E, em verdade, vos digo: a vida de todos nós, sendo fluentes ou não em inglês, há de seguir seu curso naturalmente, alternando momentos de alegria e tristeza, saúde e doença, feito um casamento, até que a morte nos separe… (*) Jerry Mill é mestre em Estudos de Linguagem e Presidente da Associação Livre de Cultura Anglo-Americana (ALCAA)
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